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Garrafa 484 – A Prática da Gratidão   Leave a comment

Pesquisas recentes na área da Ciência Social ratificam a antiga sabedoria contida em Escrituras Hebraicas, no Novo Testamento e no Alcorão que expõe a gratidão como uma virtude central e concluem atestando que ela estimula o surgimento de uma grande quantidade de benefícios. Mais especificamente, a gratidão está positivamente relacionada a resultados críticos tais como satisfação com a vida, vitalidade, felicidade, autoestima, otimismo, esperança, empatia e a disposição para prover apoio emocional e tangível para outras pessoas.

Esse conjunto de estudos apresenta diversas evidências de que o fato de nos sentirmos gratos gera um efeito ondulatório que se espalha através de todas as áreas da vida, com o potencial de satisfazer alguns dos nossos mais profundos anseios – o desejo por felicidade, nossa procura por melhores relacionamentos, e nossa incessante busca por paz interior, completude e contentamento. Por tudo isso, a prática da gratidão, mais do que apenas uma ferramenta para autodesenvolvimento, pode e deve se tornar um saudável modo de vida à medida que elevamos o nosso nível de desenvolvimento de consciência.

Esses benefícios anunciados vêm, entretanto, a médio e longo prazo e do desenvolvimento de uma disposição de gratidão por meio de uma prática dedicada. Surgem pela tendência a sentir gratidão frequentemente, de modo correto e nas circunstâncias apropriadas. E surgem também da permanente estruturação de nossas vidas, nossas mentes e nossas palavras de modo a facilitar a vivência de experiências que induzam à gratidão e ao seu reconhecimento como tal.

Para vencermos nossas próprias barreiras e obstáculos internos ao desenvolvimento de um modo de vida baseado na gratidão, os autores desses estudos sugerem, entre outras atividades, a prática consistente e disciplinada do registro de um diário de gratidão.

A sugestão é a seguinte:

1. Estabeleça uma prática na qual você sempre se lembre dos presentes, graças, benefícios e coisas boas de que gosta e pelos quais se sente grato e passe a registrá-los de alguma maneira, pelo menos uma vez por dia.
2. Fisicamente esse diário tanto pode ser um caderno criado especificamente para essa finalidade, como pode assumir a forma criativa de um “Pote de Gratidão”, decorado com adesivos ou pinturas com motivos alegres e que vem acompanhado de um pequeno bloco de notas e uma caneta para realizar as anotações. Se essa simpática “Cápsula do tempo” for confeccionada por você mesmo, com uma intenção amorosa, melhor ainda;
3. Escreva todo dia no seu diário ou no bloco de notas relembrando momentos dignos de gratidão associados a eventos comuns, seus atributos pessoais, talentos ou pessoas valiosas em sua vida. O importante é estabelecer um hábito diário de prestar atenção a eventos que inspiram gratidão.
4. O ato de escrever transmuta os pensamentos em linguagem concreta, em palavras que ajudam a organizar o pensamento e facilitam sua integração, ajudando a pessoa a aceitar suas próprias experiências e a colocá-las em um contexto mais amplo. Permite que você veja o significado dos eventos ao seu redor e crie significado para sua própria vida.
5. As anotações no bloco de notas, uma anotação por folha, devem ser datadas, arrancadas do bloco, dobradas várias vezes e depositadas no seu Pote de Gratidão;
6. Abra sua “Cápsula do tempo” no fim do ano, ou a qualquer momento em que sinta esse desejo, e entre novamente em contato com tudo aquilo que tem tornado sua vida uma permanente celebração. Seu coração agradece.

Eduardo Leal
Foto de Eduardo Leal

O Pote da Gratidão

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Garrafa 447 – Alguém me ama   Leave a comment

alguém me ama,
imagino quem seja…
começa comigo!

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Somebody loves me” na voz de Ella Fitzgerald

Garrafa 141 – Primeira vez   1 comment

Eles já se conheciam há alguns meses, mas o primeiro beijo tinha ocorrido apenas há algumas semanas. Intimidade progressiva, mas ainda bastante superficial. Eram adultos, já tinham vivenciado experiências de intimidade com outros parceiros, mas respeitavam um ritual de aproximação e conhecimento mútuo cauteloso.

O desejo crescia a cada encontro e uma pergunta povoava a mente dos dois: Quando aquela fronteira de pudor seria ultrapassada?

Sem nada definido previamente, mas ambos apenas suspeitando que era chegada a hora, encontraram-se naquela tarde de outono, num sábado, para um passeio à beira mar. Parece que tudo começa, além do limite do vale profundo que sempre começa na beira do mar… A vida começa na beira do mar…

O dia estava parcialmente nublado e soprava um vento sudoeste que fazia com que a pele dos dois ficasse o tempo todo bastante arrepiada. Ou seriam aqueles beijos trocados de maneira cada vez mais ousada, e as palavras sussurradas ao ouvido um do outro, cabelos ao vento, em um banco do calçadão do Leme?

Ok. Vamos sair daqui para um lugar onde possamos ficar a sós… Foi como se ambos tivessem dito isso ao mesmo tempo.

O motel escolhido naquela ocasião, há muitos anos atrás, ficava em outro bairro da cidade e tinha a avaliação de cinco coelhinhos em uma conceituada revista masculina, que ele lia apenas em caráter bissexto. Dizia que apreciava alguns artigos que encontrava por lá… Era o máximo no ranking desse tipo de facilidade colocada à disposição de jovens e velhos amantes. Queria bem impressioná-la e, também, escolher um local que não comprometesse negativamente um primeiro encontro de verdadeira intimidade.

A sós, finalmente, as características oferecidas pelo local e colocadas à disposição dos seus hóspedes transitórios não tiveram a menor importância. Uma cama quadrada, com lençóis limpos e macios foram mais do que o necessário e suficiente.

Eles começaram a se despir mutua e carinhosamente, com calma, delicadeza e trocando beijos apaixonados. Estariam se lembrando das sugestões contidas no “Conselho de Kamala”? Leves tremores podiam ser percebidos aqui e ali, a cada toque explorando alguma dobrinha ou área de pele ainda intocada.

E finalmente chegou o momento tão esperado. Ele se levantou, reduziu a iluminação e se despiu completamente, enquanto ela ainda mantinha nos quadris uma ultima peça intima.

Ele ainda se lembra do seu sorriso e do olhar maroto que ela lhe lançou, antes que o quarto mergulhasse em uma leve penumbra.

Até hoje, quando sopra um vento sudoeste, e a sua pele fica arrepiada na beira do mar, ele pensa naqueles instantes com carinho. E a brisa parece sussurrar ao seu ouvido esse breve haicai:

nenhuma vergonha,
ao ver que você sorriu,
da minha nudez…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Beira mar” na voz de Zé Ramalho.

Garrafa 174 - Intimidade (Consigo mesma e com o outro)

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