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Garrafa 353 – A Prática da Respiração Abdominal   Leave a comment

No processo de Coaching, quando desempenho o papel de Coach Centrado em Valores, a ultima coisa que faço é sugerir o que fazer. E quando o faço, por sentir que a pessoa está completamente paralisada e incapaz de vislumbrar saídas para a situação que se apresenta no seu momento atual, sempre procuro fazê-lo de maneira indireta. Normalmente digo que, tendo vivido situação semelhante, naquela ocasião escolhi experimentar tal ou qual alternativa que, por sua vez, produziram tais e quais resultados. Uso minha própria experiência ou, então, apresento o exemplo de alguém que conheça que, tendo passado por situação semelhante, escolheu fazer algo de determinada maneira e experimentou algum tipo de resultado. Posso perguntar, a seguir, algo do tipo: “será que essa informação pode ser útil para você, neste momento?”. Isso normalmente faz com que a pessoa que estava paralisada comece, pelo menos, a examinar algumas possíveis alternativas.

Já quando estou realizando algum processo de Consultoria em Planejamento Estratégico, em Planos de Negócio, em Organização, Sistemas e Métodos, em Comunicação ou em Gestão Pessoal, no meu papel de Consultor, o que faço, e o que o meu cliente espera que eu faça, é exatamente isso: sugerir o que fazer. Entretanto, para fazê-lo, devo usar o meu melhor julgamento e sugerir a melhor solução de acordo com meu conhecimento especializado sobre o assunto. Não são muitas as áreas em que me sinto confortável em fazê-lo de maneira categórica. E mesmo quando poderia fazê-lo dessa maneira, prefiro adotar o estilo coach de fazer consultoria: com perguntas que provoquem reflexão, após realizar a escuta com empatia e, quando oportuno, apresentando sugestões de maneira indireta.

E você provavelmente já deve estar se perguntando a respeito da razão para a apresentação desses dois parágrafos anteriores, a título de introdução, em um post sobre a prática da respiração abdominal.

Isso é porque uma das perguntas que recebo com maior frequência, tanto em minha prática de Coaching quanto na de Consultoria é: qual a melhor maneira que você sugere para se lidar com o estresse e a tensão do dia a dia?

Como não me considero consultor nem especialista nesse assunto, aqui reproduzo a fala do coach, apenas sugerindo indiretamente, o que faz sentido pra mim. O que é sentido, faz sentido…

Desde muito cedo, em minha juventude, senti grande atração pela cultura oriental e pelas artes marciais. Meu primeiro mestre nas aulas de Karate, de que participei a partir de 1970, iniciava e encerrava os treinamentos com uma breve sessão de meditação com respiração abdominal. Desde então, sempre busquei literatura a esse respeito e, a partir dos anos 80, encontrei em um Mosteiro Zen localizado na localidade de Ibiraçu, no Espírito Santo, informações e oportunidade para o inicio de uma pratica meditativa, mesmo que ocasional. E o desafio sempre foi o de torná-la parte do meu dia a dia, incorporando-a à minha rotina. Vários anos se passaram e, no final dos anos 90, mais precisamente em 1999, vivi uma situação real extremamente estressante, em que tive que usar todas as ferramentas à minha disposição. Naquela ocasião, li todos os livros de psicologia e psicanálise que me caíram nas mãos, descobri a existência e fiz cursos de Programação Neurolinguística, fiz terapia Cognitivo-Comportamental e voltei a fazer Alongamentos, Corridas e Caminhadas, regularmente. E sim, retomei a prática da Respiração Abdominal! É sobre esse ultimo assunto que gostaria de compartilhar algumas ideias, por ser uma alternativa que pode ser posta em prática quase que imediatamente, pela sua simplicidade, e que apresenta ótimos resultados, fruto da minha experiência pessoal.

Porque Realizar

A respiração não ocorre nem no passado nem no futuro, só no momento presente e é a chave para vivermos uma vida mais consciente nessa encarnação física. É a primeira coisa que fazemos ao nascer e a ultima que faremos antes que a energia abandone cada uma das células do nosso corpo. Seu ritmo superficial e agitado, ou profundo e relaxado, acompanha e induz nossos diferentes estados de espírito. A respiração abdominal é a respiração dos bebês saudáveis e dos mestres espirituais iluminados. Se você aspira entrar e se manter em contato com a sua natureza essencial, procure respirar de maneira cada vez mais lenta, profunda e relaxada.

Quando Realizar

Essa é uma prática especialmente recomendada para o início e o final de cada dia. Ao se levantar e antes de iniciar as atividades programadas para cada manhã, e antes de dormir, quando se pode fazer um balanço de tudo que aconteceu após um longo e produtivo dia de realizações e aprender com os resultados favoráveis ou desfavoráveis de cada uma delas. Pode ser utilizada, também, ao longo do dia, em alguma pausa ou intervalo, ou ainda antes de alguma atividade importante em que é especialmente recomendável estarmos em conexão com o momento presente e com a nossa orientação interior mais profunda.

Características do Ambiente

Encontre um lugar tranquilo e bem ventilado, de preferência em alguma praça ou jardim ou, se não for possível, em um cômodo de sua casa ou escritório. Sente-se em posição confortável sobre almofadas no chão ou em algum banco, cadeira ou sofá, disponíveis no ambiente, ou levados por você especificamente para essa finalidade.

Sua Postura

Mantenha as costas eretas e o olhar voltado ligeiramente para baixo, como se estivesse visando um ponto situado cerca de dois metros à sua frente, se estiver sentado em uma cadeira, ou a cerca de um metro, se estiver sentado no chão sobre almofadas. Deixe que as mãos permaneçam pousadas naturalmente sobre as coxas com as palmas abertas e voltadas para cima. Mantenha os olhos fechados, pelo menos ao início do exercício, para aumentar a sensação de contato com o próprio corpo sem a presença de estímulos visuais externos. Você pode optar por mantê-los semicerrados ou completamente abertos, à medida que sua prática lhe permite manter o foco da sua atenção na própria respiração, de maneira independente de estímulos visuais presentes no ambiente.

O Processo

Quando se sentir confortável para iniciar a sua prática, mantendo a boca fechada, comece a respirar profundamente pelo nariz levando o ar até a base do pulmão na região abdominal, contando até cinco na inspiração e até cinco novamente na expiração. Sinta como a barriga se expande na inspiração e se contrai na expiração e deixe que esses movimentos e ritmo respiratório ocorram naturalmente durante pelo menos cinco minutos. Ao longo desse período, à medida que vá se sentindo cada vez mais confortável, você pode ir aumentando gradativamente a contagem para seis, sete, oito ou nove, enquanto seus pulmões se adaptam a esse novo ritmo e à maior quantidade de ar movimentada.
Apenas observe os pensamentos que afloram a cada instante, sem se fixar em nenhum deles em especial, voltando a focalizar sua atenção no ritmo respiratório, quando isso ocorrer, e perceba como você começa a se sentir cada vez mais profundamente relaxado e, ao mesmo tempo, surpreendentemente alerta. Você começa a perceber que o passado e o futuro se desvanecem e que surge uma sensação de centramento no momento presente, onde e quando a vida realmente acontece. O céu e a terra se encontram quando seu coração e sua mente se unem em respeitoso silêncio, apenas testemunhando e celebrando a dádiva do momento presente.

Será que essa informação pode ser útil para você, neste momento?

Pausa para um breve haicai:

noite escura…
ilumina caminhos,
luz interior.

Eduardo Leal
Fotos de autores desconhecidos
Instruções de utilização: Ouvir “Monsieur Binot” na voz de Joyce

meditação com respiração abdominal

Meditação sentado

respiração abdominal

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Garrafa 342 – Militante da vida   2 comments

Acordei hoje com o firme propósito de, após minha caminhada diária, visitar um jovem cliente que sofreu um acidente de moto e, depois de duas cirurgias, já se recupera em casa, recebendo o carinho e atenção de sua família e amigos mais próximos, entre os quais alegremente também me incluo.

Como sempre faço nessas ocasiões, andei às voltas pensando no que levar, no que dizer, no que fazer para animá-lo, abalado que se encontra diante da expectativa de ter que passar ainda várias semanas em processo de recuperação, com fisioterapia, restrições de movimentos, etc.

Nada de caixas de bombons, frutas e revistas para passar o tempo. Sua mãe e namorada certamente já providenciaram tudo isso. Nesses momentos desafiadores é a mente que precisa de alimento saudável e, após breve consulta aos livros ao alcance da mão, na minha estante de pronto uso, achei o que procurava. A escolha foi facilitada, também, pela lembrança das ferramentas que utilizei para me recuperar de uma fratura na mão esquerda, após um treino de Karate há muitos anos atrás, e de uma fissura de costela, mais recentemente. É a mesma dica que tenho passado para familiares, amigos e clientes que enfrentam o desafio de recuperação após acidentes, situações traumáticas e doenças. E sempre funciona, desde que as pessoas se permitam acessar um estado de recursos que está sempre à nossa disposição, no nosso organismo. Os que acreditam nisso e usam essa técnica, entre os quais me incluo, reportam ótimos resultados na diminuição do tempo de recuperação e de convalescença.

No livro “O Zen nas Artes Marciais”, de Joe Hyams, há um tópico em que ele descreve um exercício simples de visualização, que acessa a capacidade de auto cura disponível no nosso próprio corpo, que nada fica a dever a outras referências que encontro em livros e apostilas de Programação Neurolinguística – PNL. Trata-se de visualizar, com riqueza de detalhes, um grupo de operários encarregados de realizar a tarefa de limpar e recuperar a área, o osso, o órgão, o músculo, ou o nervo danificado, restaurando sua funcionalidade. Eles fazem hora extra, no nosso inconsciente, enquanto dormimos, e seu trabalho é tão mais eficaz e eficiente, quanto mais detalhadamente programamos nosso cérebro para permitir que eles cumpram suas tarefas, antes de pegarmos no sono. O apito dando inicio às atividades no “canteiro de obras”, seus capacetes e uniformes, com cores diferentes em função das suas tarefas específicas, camisetas com dizeres e palavras de ordem, sacolas de ferramentas e cintos de utilidades com toda a parafernália e instrumental de cura. Cada tipo de ação deve ser visualizada… limpeza de área, revascularização, lubrificação de dobradiças e articulações, soldagem, colagem, reconexão, etc… Ao despertarmos, soa o apito de fim de turno, essa turma de operários vai descansar, e entra em ação outra equipe…

Já que ele, como eu, também se interessa por artes marciais, essa foi a dica que passei para meu jovem amigo, que assumiu o compromisso de experimentá-la diariamente, em várias ocasiões, especialmente à noite antes de dormir. Além da ótima equipe de especialistas que estão à sua disposição, no seu plano de saúde, ele agora pode, também, participar mais diretamente do processo de reabilitação usando o que a natureza nos oferece de melhor – nossa capacidade de auto cura. Não se trata de simplesmente alimentar esperança de que o melhor aconteça mas, isto sim, de agir e seguir com confiança na direção escolhida. Ação consciente apoiada por crenças potencializadoras e exercício de visualização! Simples assim.

No caminho de volta pra casa, sabia que tinha visto algo pela manhã, que estava relacionado a esses pensamentos sobre a importância da ação consciente decorrente da vontade de agir, mas não conseguia lembrar exatamente o que era. Que outro livro tinha passado pelas minhas mãos antes de sair, deixando aquela sensação de “preciso olhar isso mais uma vez”? Decidi consultar minha estante de pronto uso imediatamente ao chegar em casa, e lá estava a mensagem que tinha ficado no subconsciente: em um papel dobrado, um breve haicai elaborado em agosto de 2011, após a leitura de “A felicidade, desesperadamente” de André Comte-Sponville, aguardando revisão e ainda não postado.

O trecho do livro inspirador diz assim:

“… eu nunca disse que é necessário se conformar ao real, se você entende por isso que deveríamos renunciar a transformá-lo!… Creio ter insistido no fato de que o que faz agir não é a esperança, mas a vontade… Os militantes têm uma palavra encantadora para designar essas pessoas, essas pessoas que têm a mesma esperança que eles mas que não agem, porque não têm a mesma vontade que eles. Chamam-nas de simpatizantes. O que é um simpatizante? É alguém que espera a vitória, como você, isso não custa nada, mas que renuncia a fazer o que depende de si para se aproximar dela. Ao passo que um militante é quem age. Não é a esperança que os diferencia (todos esperam a vitória, a justiça, a paz, a liberdade), mas a vontade, mas a ação. As pessoas que fazem que as coisas mudem não são as que esperam, mas as que lutam.”

Para ser congruente com outros posts e crenças que tenho compartilhado e procurado adotar, acho que cabe um oportuno esclarecimento a respeito da citação “As pessoas que fazem que as coisas mudem não são as que esperam, mas as que lutam.”:

Como disse Jung: “Aquilo a que se resiste, persiste!” Não luto mais contra coisa alguma. Prefiro agir em favor do que considero importante. Aquilo a que opomos resistência ganha força! Opor resistência com violência, então, é o fim. Comunicação compassiva me parece uma estratégia mais inteligente (Escuta com empatia/Perguntas Poderosas/Feedback Positivo e Feedback Construtivo) quando seguida de ação firme na direção que se deseja seguir.

Se nessa ação firme na direção do que consideramos valioso e importante, alguém nos agredir, aí é outra história. Comunicação compassiva não significa abdicar da própria autodefesa, quando necessário. Mas partir pra agressão gratuita ao nosso patrimônio comum e às pessoas, estilo Black Block, me parece demonstração de baixíssimo nível de consciência.

Encerro esse comentário com uma citação atribuída a Trulshik Rimpoche: “A forma como as pessoas nos tratam é o carma delas. A forma como reagimos, é o nosso.”

Tendo tomado, já há algum tempo, a decisão de me tornar um militante da minha própria vida, agindo de maneira consciente e amorosa, e deixando de ser apenas um simpatizante, acho que o haicai pode ser postado da maneira como foi parido, registrando a percepção do meu estado de espírito naquela ocasião, após a leitura do livro inspirador. Entretanto, essa prosa pode ser, para alguns visitantes do Blog, um pouco mais esclarecedora.

alegremente…
mais que simpatizante,
Ser militante!

Eduardo Leal
Inspirado no livro “A felicidade, desesperadamente” de André Comte-Sponville
Ilustração de autor desconhecido

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