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Garrafa 441 – Déjà vu   1 comment

Fazia muito tempo que não lhe batia uma saudade tão grande!
Saudade salgada! De travar a língua!
Saudade doce sentia todo dia…

Naquele dia foi diferente.

Um passeio matinal por algumas ruas da cidade, disparou na memória aquela intensa sensação de “déjà vu”…
Lugares sagrados em cada bairro, em cada esquina, verdadeira mina…

E todos os caminhos levavam ao mar… Um mar de lágrimas?

A pequena embarcação há muito havia partido. No atracadouro, no espaço vazio, reflexos do sol na água, como diamantes.

Melhor usar óculos escuros…

O vento marinho pareceu sussurrar em seus ouvidos um breve haicai:

como dois amantes,
estivemos aqui antes…
choro diamantes.

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Déjà vu” Com Crosby, Stills, Nash & Young

choro diamantes

Garrafa 193 – O Conselho de Kamala   4 comments

O tema do sexo é sempre assunto palpitante e um dos tópicos mais pesquisados nas ferramentas de busca na Internet. A partir da curiosidade infantil, passando pelos sobressaltos da adolescência e chegando à idade adulta, é tema de conversas, livros, pinturas, esculturas, filmes e, é claro, de muita ação cinestésica.

Compartilho neste post algumas informações e reflexões a esse respeito, porque durante os processos de Coaching Centrado em Valores e de Consultoria em Gestão Pessoal que tenho conduzido ao longo dos últimos anos o assunto sempre vem à tona. Isso acontece, principalmente, quando os Exploradores de Novas Possibilidades de Futuro analisam suas respectivas Áreas da Vida denominadas “SAÚDE” (Física / Emocional / Mental), “RELACIONAMENTOS” (Família / Trabalho / Pessoal) e, às vezes, “LAZER”.

Objeto de repressão severa em diversas culturas e épocas, em função de crenças religiosas ou de simples preconceito, a partir dos anos 1960 houve uma explosão de liberação da expressão sexual em várias partes do mundo, com a popularização das pílulas anticoncepcionais. Podemos observar, ao mesmo tempo, que essa liberação sexual nem sempre foi acompanhada da desejável e correspondente elevação do nível de consciência que poderia ser esperada das pessoas supostamente liberadas.

No mundo ocidental o sexo foi tema de interesse constante: cercado de hipocrisia e de repressão religiosa na Idade Média, passando pelo Renascimento e chegando aos trancos e barrancos à Idade Moderna como assunto de interesse científico. Esse interesse ganhou relevância com as pesquisas e trabalhos conduzidos no Século XX por Sigmund Freud, que buscou disseminar a ideia de que o desejo sexual é a energia motivacional primária da vida humana. Em sua obra, Freud fez surgir uma nova compreensão do ser humano: a de uma pessoa influenciada por seus desejos e sentimentos que criam em sua mente um tormento pela contradição entre esses impulsos e a vida em sociedade.

Já na tradição oriental, desde a mais remota antiguidade, sua importância também não foi desprezada. No Tantra Yoga, por exemplo, o sexo entra como parte fundamental no estabelecimento das raízes de uma família e parte importante da vida de um casal saudável. Por isso no Tantra o sexo também é ensinado como um ato sagrado, como uma forma de trazer prazer e alegria ao seu companheiro ou companheira e como a oportunidade do encontro entre o “deus masculino” e a “deusa feminina” que vive em cada um dos parceiros. O sexo, de acordo com essa concepção, é visto antes de tudo como uma prática de elevação espiritual. E no Tantra podemos encontrar também a prática do Maithuna, que é uma técnica que procura alcançar o domínio dos apetites sexuais.

Maithuna ou Mithuna é um termo sânscrito que, na maioria das vezes, é traduzido como a união sexual em um contexto ritualista. Apesar de alguns escritores, seitas e escolas como, por exemplo, a de Yogananda considerarem que este é um ato puramente mental e simbólico, outros entendem que a palavra Maithuna se refere claramente a casais (com integrantes do sexo masculino e feminino) realizando sua união no sentido físico e sexual. E essa união seria equivalente à oportunidade de realização de uma espécie de “limpeza madura” do casal apenas quando a união é consagrada pelo ato do casamento, ou pelo amor verdadeiro.

Confesso que tenho simpatia por essa concepção que reconhece “efeitos terapêuticos” e de “limpeza” por conta dessa ligação física, emocional e espiritual e de um certo esquecimento momentâneo dos próprios egos.

No entanto, segundo outras concepções, seria possível experimentar uma forma de Maithuna sem união física. O ato poderia existir em um plano metafísico, sem penetração sexual, através apenas da transferência de energia através dos seus corpos sutis. E é quando esta transferência de energia ocorre que o casal, encarnado como duas divindades e com a sublimação momentânea dos seus respectivos egos, confrontam a realidade última e experiências de bem-aventurança através da união dos seus corpos sutis.

Descobri também recentemente, em um Curso de Cabala de que estou participando, que esse encontro físico e sexual também é visto pelos Cabalistas com um dos momentos com maior capacidade de se gerar LUZ, desde que essa união seja tratada com o cuidado que o assunto merece, com ênfase nas preliminares, como uma oportunidade de doação e de compartilhamento, mais do que de simples recebimento, como um encontro sagrado e não apenas como uma ocasião para obtenção de gratificação instantânea e prazer automático.

Quando tenho que lidar com essas questões por minha própria conta, o faço acreditando firmemente que o sexo é o momento de maior intimidade possível entre duas pessoas, com troca de fluidos corporais, compartilhamento de emoções e, finalmente, com um encontro iluminado de duas almas que se buscam. E, portanto, entendo que o sexo deve ser precedido de cuidadosa avaliação e seleção, sem preconceitos desnecessários, mas ao mesmo tempo considerado com o devido respeito e atenção que um assunto dessa natureza, de máxima intimidade com alguém, deve ser tratado. Penso que o assunto é suficientemente importante para que se evite que simples tabus sem sentido como “virgindade” e “proibição de sexo antes do casamento” influenciem nas escolhas feitas com consciência e naturalidade por pessoas responsáveis.

Essa foi a ideia que procurei compartilhar com meus três filhos, especialmente com minhas duas filhas, quando lhes dei o meu voto de confiança dizendo que estava certo de que saberiam escolher muito bem quando e com quem fazer sua iniciação sexual.

Para ilustrar a delicadeza com que penso que o assunto deva ser tratado e vivenciado, escolhi para este post a imagem de “um casal” formado por dois bonecos infláveis em uma cama de pregos… Em que qualquer movimento em falso, ou estabanado, pode ser desastroso para ambos os participantes da festa do amor…

E sobre “o que”, que tipo de prática pode ser considerada saudável “dentro das quatro linhas” imaginárias que podem ser delimitadas pelo colchão em uma cama, a relva macia do campo, ou qualquer outro lugar onde o amor e o desejo entre um homem e uma mulher se façam presentes, fico com o conselho da jovem cortesã Kamala oferecido a Sidarta, ambos personagens do belo romance ou “poema indiano” “Sidarta” de Hermann Hesse, que li na juventude e que até hoje me inspira:

Os amantes não devem separar-se, depois da festa do amor,
sem que um parceiro sinta admiração pelo outro;
sem que ambos sejam tanto vencedores como vencidos,
de maneira que em nenhum dos dois possa surgir a sensação de enfado ou de vazio
e ainda menos a impressão desagradável de terem-se maltratado mutuamente.

Eduardo Leal
Ilustração de autor desconhecido

Garrafa 85 – Amizade   1 comment

paixão acabou,
brotou amor delicado,
sou só seu amigo…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido

Amor delicado

Garrafa 60 – Olhando na mesma direção   Leave a comment

Dois amantes comuns que são solitários sempre olham um para o outro; dois amantes verdadeiros, numa noite de lua cheia, não estarão se olhando.
Eles podem estar de mãos dadas, mas estarão olhando a lua cheia bem alta no céu.
Não estarão olhando um para o outro, estarão juntos olhando algo mais.
Às vezes estarão escutando juntos a uma sinfonia de Mozart ou Beethoven ou Wagner.
Às vezes estarão sentados ao lado de uma árvore e apreciando o tremendo ser da árvore envolvendo-os.
Às vezes podem estar sentados ao lado de uma cachoeira escutando a música selvagem que está continuamente sendo criada.
Às vezes, perto do mar, ambos estarão olhando para a mais longínqua possibilidade que os olhos possam alcançar.

Sempre que duas pessoas solitárias se encontram, olham uma para a outra, porque estão constantemente buscando modos e meios de explorar o outro: como usar o outro, como ser feliz através do outro.

Mas duas pessoas que estão profundamente contentes consigo mesmas não estão tentando usar uma à outra.
Em vez disso, tornam-se companheiras de viagem; se movem numa peregrinação.
A meta é alta, a meta está distante. Seus interesses comuns as unem.

Osho
Foto de autor desconhecido

Olhando na mesma direção

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