Arquivo para a Tag ‘Alan Parsons Project

Garrafa 377 – Bico calado   Leave a comment

bico calado
passarinho na muda
voa de lado…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Old and wise” com Alan Parsons Project

Canario

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Garrafa 302 – Não estamos sós   Leave a comment

não estamos sós,
quando estamos atentos
a esse silêncio…

Eduardo Leal
Inspirado no livro “O convite” de Oriah
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Silence and I” com Alan Parsons Project

Garrafa 297 – Na lua cheia   Leave a comment

na lua cheia,
apesar dos insucessos,
manter-me de pé!

Eduardo Leal
Inspirado no livro “O convite” de Oriah
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Children of the moon” com Alan Parsons Project

Garrafa 274 – A Máquina do Tempo   1 comment

Nos últimos dias, véspera da chegada da primavera de 2011, noticias em sites científicos de todo o mundo dão conta de que pesquisadores europeus encontraram as primeiras evidencias de partículas subatômicas – os neutrinos – viajando mais rápido que a velocidade da luz. Esses resultados, se confirmados, poderiam significar que é possível teoricamente “enviar informações para o passado”. Em outras palavras, a viagem para o passado poderia ser possível…

Imediatamente, começo mentalmente a arrumar minhas malas e a escolher o meu destino. Quantas opções interessantes!

No quintal arborizado da casa da infância, anos sessenta, sentir novamente, quase ao mesmo tempo, o gosto e o contraste dos sabores da manga, da pitanga, da goiaba, do jambo e da amora!

Vivenciar o entusiasmo de fabricar, com inesperado sucesso, um dos meus primeiros artefatos que faziam parte do kit de sobrevivência na infância, junto com cinco bolas de gude coloridas – meu estilingue. Ele era construído com forquilha cuidadosamente selecionada e serrada de um ramo seco e firme de goiabeira, complementado com elástico recortado da câmara de um pneu careca do velho Mercury do meu pai e com o pequeno retângulo de couro macio também recortado de um antigo sapato usado pela minha mãe.

Esse prodígio de engenharia bélica primitiva era municiado e carregado com caroços redondos e firmes de pitangas maduras. Era preciso comer muitas delas para manter os bolsos cheios da munição usada nas disputas com meus amigos da vizinhança. Acho que poderia fazer novamente esse sacrifício…

Quem sabe poderia agora me esquivar do impacto produzido por um desses caroços, que me atingiu o rosto, quando saí do esconderijo por detrás da parede da cozinha e passei a temer a mira precisa do meu amigo Mané!

E impedir o gesto impensado de alvejar aquela rolinha distraída no galho da mangueira… Sua pequena carcaça ainda deve estar sepultada por entre as raízes do jambeiro, após cerimonial fúnebre providenciado imediatamente com profundo arrependimento…

Se meu novo amigo Bem-te-vi soubesse desse passado, ainda cantaria todo dia pra mim?

Depois de consultar cuidadosamente os registros de minha máquina do tempo, finalmente me decido por um destino mais recente… Ah! Aquele beijo… Relâmpagos iluminando o céu da boca…

Tá marcado!
Bagagem pra que?
Naquele momento estava pelado…

Já sentindo de novo aquela vertigem, sigo balbuciando um breve haicai…

desengonçado,
no lombo de um neutrino,
volto ao passado…

Eduardo Leal

Fotos de autores desconhecidos
Instruções de utilização: Ouvir “Time” com Alan Parsons Project

Garrafa 271 – Um outro tempo   6 comments

Fazia já alguns dias que não passava por esse caminho, em minhas andanças diárias. Ontem à noite, durante a caminhada, enquanto avançava em direção à maresia, fui envolvido por uma atmosfera suavemente perfumada, que me transportou para um outro tempo. Dois jasmineiros, espalhando seu perfume aos ventos, davam um tom de primavera a uma agradável noite de inverno.

Hoje à tarde, apesar do dia nublado, trouxe meu corpo de volta a esse espaço, para reencontrar um outro tempo…

cheiro de jasmim
traz o tempo do seu corpo
de volta pra mim

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal – Jardim Oceânico, 20/08/2011
Instruções de utilização: Ouvir “Some other time” com Alan Parsons Project

Garrafa 259 – Caminhante, não há caminho…   1 comment

Encontrei em um livro sobre gestão, local improvável para delicadezas poéticas, uma bela reflexão sobre a construção do próprio futuro, ser senhor do próprio destino, e aproveitar oportunidades que, se perdidas, se fecham como as esteiras no mar, depois da passagem do navio. Um belo presente de um novo amigo e cliente.

Caminhante, são tuas pegadas
o caminho, e nada mais;
caminhante, não há caminho,
se faz caminho ao andar.

Ao andar se faz caminho,
e ao olhar para trás
se vê a trilha que nunca
se há de voltar a pisar.

Caminhante não há caminho,
senão esteiras no mar.

Caminante, son tus huellas
el camino, y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante, no hay camino,
sino estelas en la mar.

Antonio Machado (1875-1939), poeta espanhol em “Proverbios Y Cantares”
Foto de Galante
Instruções de utilização: Ouvir “Voyager” com Alan Parsons Project e Vídeo de Eduardo Leal

Garrafa 233 – I: Mutação   Leave a comment

não há quem mude
só o fluxo contínuo
só há o mudar

Eduardo Leal
Pintura de Lee Man Tse Kuk
Instruções de utilização: Ouvir em sequência “Voyager” (instrumental) e “What goes up…” com Alan Parsons Project

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