Garrafa 406 – O Caminho do Homem   3 comments

No último mês de agosto iniciei um interessante curso sobre a Cabala e, como costumo fazer, busquei leituras complementares, não só sobre esse tema específico, mas também sobre a cultura judaica. Já tinha lido alguns livros do Rabino Nilton Bonder e, em visita à Livraria Argumento, uma de minhas favoritas, comprei outros do mesmo autor, que estão em fila de espera para leitura. Descobri também Martin Buber de quem já tinha visto e ouvido várias referências, mas nunca tinha lido nenhuma de suas obras.

Compartilho com os amigos uma sugestão de leitura que me trouxe ótimas oportunidades de reflexão: Trata-se de “O Caminho do Homem (Segundo o Ensinamento Chassídico)” de Martin Buber, editado pela É Realizações Editora.

Analisando os passos sugeridos por Buber, acabei me dando conta que a abordagem de Coaching Centrado em Valores é, em alguma medida, “Buberiana” pelos paralelos que pude fazer com aquele caminho sugerido e com as etapas utilizadas para provocar reflexão nos Exploradores de Novas Possibilidades de Futuro que vivenciam o processo.

No Posfácio do livro feito por Albrecht Goes, aluno, amigo, leitor e admirador de Buber, encontramos um ótimo resumo do conteúdo dos seis capítulos dessa obra delicada e, ao mesmo tempo, portadora de poderosas sementes de transformação. E acrescentei alguns comentários adicionais a respeito das semelhanças com o processo de Coaching que tenho utilizado.

Considero essa leitura uma ótima oportunidade para todos aqueles que buscam encontrar seu próprio caminho para o encontro consigo mesmos, com o outro e com Deus:

1. No início, em “Autocontemplação”, exige-se que o homem se confronte com essa voz, com esse “Onde está você?”. Trata-se da oportunidade de se fazer um diagnóstico do momento atual da pessoa que vivencia o processo.

2. “O caminho particular” é o caminho inconfundível que cada um tem em toda sua existência, com sua corporeidade, sua alegria, suas necessidades. Trata-se de entrar em contato com o nível de identidade (missão e visão), com as crenças e valores e com os talentos individuais que vão orientar a escolha das estratégias (caminhos) para seguir na direção que se deseja.

3. E de modo tão indivisível ele deve encarar o momento com a correta “Determinação”, sem oscilações, sem o “trabalho malfeito”, com a alma unida. Trata-se de buscar o alinhamento de pensar, falar e agir de maneira congruente com os valores e os objetivos estabelecidos.

4. Ele vai “Começar consigo mesmo” nos pensamentos, na palavra e na ação, mas não vai encerrar em si mesmo. A mudança começa de dentro para fora ou, como já nos disse Ghandi, “Devemos nos tornar a mudança que queremos ver no mundo”.

5. Sim, isso é dito e apontado com muita audácia: ele não deve ocupar-se de si mesmo. Então o que fazer? Ocupar-se do mundo. “É preciso esquecer de si mesmo e ter o mundo todo em mente”, afastando-se de todos os fingimentos e de toda autotortura. Trata-se de incluir o outro, aumentando o nosso círculo de preocupações e de influência e buscando compartilhar e contribuir.

6. Finalmente: aqui onde estamos é o lugar onde nossa existência deve ser concretizada; aqui a vida divina, oculta, quer ser iluminada. Trata-se de buscar um estado de presença, no aqui e agora, e de usar nossas tarefas diárias e relacionamentos mais próximos para se viver uma vida plena.

Dessa leitura, que me emocionou profundamente no mês do meu aniversario, brotou uma percepção sob forma de pequena oração, que passei a incorporar à minha rotina diária:

Que eu possa, descobrindo onde estou, fazendo do meu jeito e com minha própria força, encontrar meu caminho particular para Deus: permanecendo presente com todo meu Ser, começando comigo mesmo, dizendo o que penso e fazendo o que digo, mas não fazendo a mim mesmo como um fim, interagindo de maneira tranquila e dedicada com meus relacionamentos, entregando-me com sagrada intenção às minhas tarefas do dia a dia, no lugar onde vivo uma vida de verdade.

Eduardo Leal
Foto de Martin Buber, de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Déja Vu” com Steve Hackett

Martin Buber

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3 Respostas para “Garrafa 406 – O Caminho do Homem

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  1. Bom dia Eduardo.

    Gostei muito de ‘O caminho do homem’ que vc traou. Eu so acrescentaria um setimo passo. Para termos sucesso em tudo temos que alinhar o caminho do homem com o caminho que o Eterno tem para nos.

    Forte abrao.

    Claudio

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    chdecarvalho
    • Olá Claudio! Agradeço pela visita e pelo comentário.
      Estou de acordo com sua sugestão. E penso também que podemos manter os seis passos propostos, desde que esse requisito esteja incluído no passo dois. E de fato acho que é isso que acontece quando entramos em contato com nossa missão e através dela expressamos nossos talentos. Essa deve ser a vontade do Criador, quando nos fez dessa maneira.

      Quando penso nisso, lembro sempre das palavras da coreógrafa e dançarina moderna norte-americana Martha Graham:

      “Há uma vitalidade, uma força vital, uma energia, um estímulo que se traduz em você pelo seu ato, porque só há uma de você o tempo todo; essa expressão é única. Se você a detém, ela nunca existirá por nenhum outro meio e se perderá. Ela não aparecerá no mundo. Não é de sua conta determinar quão boa ela é, nem quão valiosa, nem como se compara com outras expressões. O que te importa é mantê-la clara e diretamente sua, manter o canal aberto. Você não tem nem mesmo que acreditar em si mesma e em seu trabalho. Você tem que se manter aberta e alerta ao anseio que te motiva. Mantenha o canal aberto. Nenhuma artista é agraciada. [Não há] qualquer satisfação, em momento algum. Há somente uma estranha insatisfação divina, uma inquietação bendita que nos impulsiona e nos faz mais vivas que os demais.”

      Postei a respeito na Garrafa 350.

      Venha sempre! Você é muito bem-vindo!

      Um grande abraço.

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  2. Pingback: Garrafa 149 – A Essência do Coaching Centrado em Valores | .::Três coisas::.

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