Garrafa 398 – Esforço organizado e harmonia   Leave a comment

Nas ultimas semanas acompanhei com interesse os episódios da série Gigantes da Indústria no The History Channel, que recomendo com empenho. Desfilam em cada programa alguns dos principais responsáveis pela construção dos EUA, a partir do final do Século XIX, e também pela sua transformação e consolidação como a nação mais poderosa do mundo na segunda metade do século XX. No processo de construção de seus respectivos impérios, são apresentadas de maneira didática as principais ideias e os desafios enfrentados por John Rockefeller (petróleo), Andrew Carnegie (indústria do aço), J. P. Morgan (sistema financeiro), Henry Ford (indústria automobilística) e Cornelius Vanderbilt (frota de navios e embarcações mercantes e indústria ferroviária).

Em minha opinião, um dos fatores críticos de sucesso dos EUA, foi a decisão de se investir na criação de uma malha de transporte ferroviário ligando o país de costa a costa, além do transporte aquaviário, nos grande lagos e rios navegáveis e depois por vias marítimas, para transporte de carga e de pessoas, antes mesmo da construção da também impressionante malha rodoviária que acompanhou o desenvolvimento da indústria automobilística americana.

Em tempos de movimento pelo “Passe Livre”, que se entendi bem nada mais deseja que um transporte de massa de qualidade para toda a população, e que foi o estopim de todo esse movimento de revolta cívica, convivemos em nosso país com os resultados de inúmeras escolhas equivocadas priorizando investimentos em transporte individual, em detrimento do transporte coletivo de qualidade. E não só podemos lamentar e criticar a falta de visão de nossos governantes e empresários do passado, com poucas e honrosas exceções mas, ao mesmo tempo, há muito que fazer com relação ao presente e futuro em termo de discussão construtiva e busca de soluções inteligentes.

Lembrei-me imediatamente de Napoleon Hill, o jovem promissor convidado por Andrew Carnegie para empreender a desafiadora missão de estudar e disseminar, ao longo de mais de 25 anos, sua filosofia do sucesso que era também adotada pelos outros “Gigantes da Indústria”. Essas ideias foram traduzidas inicialmente em uma série de artigos em revistas especializadas e, posteriormente, em diversos livros que se tornaram verdadeiros clássicos para as pessoas interessadas em Coaching e Desenvolvimento Pessoal e Organizacional.

Estou relendo alguns desses livros, um deles pela quarta vez, enquanto acompanho as belas demonstrações e manifestações pacíficas pela mudança do nosso “Estado de coisas” que testemunhamos nas últimas semanas em todas as regiões do país. E, ao mesmo tempo, também vejo com profunda preocupação as demonstrações de oportunismo de bandidos e vândalos infiltrados nesse movimento com o único propósito de destruir, saquear e roubar. Prejuízo certo para os já comprometidos e mal gerenciados orçamentos federal, estadual e municipal e com repercussão negativa nos orçamentos das empresas e pessoas.

Destaco alguns conceitos de Napoleon Hill, em seu livro mais antigo A Lei do Triunfo, de 1928, editado pela Editora José Olympio após tradução do original “The Law of Success in Sixteen Lessons”: o do esforço organizado e da importância da harmonia.

“O poder humano é o conhecimento organizado que se expressa por meio de esforços inteligentes. Não se pode dizer que um esforço é organizado senão quando os indivíduos nele empenhados coordenam os seus conhecimentos e energias, num espírito de perfeita harmonia.”

Em outros momentos ele nos adverte:

“O conhecimento de natureza geral, desorganizado, não é poder; é apenas poder potencial – material do qual poderá desenvolver-se o poder real.”

“A harmonia parece ser uma das leis da Natureza, sem a qual não pode haver energia organizada, ou vida de qualquer forma. A saúde do corpo bem como a saúde mental são inteiramente construídas na base do princípio da harmonia. A energia conhecida como vida começa a desintegrar-se e a morte se aproxima, logo que os órgãos do corpo deixam de trabalhar em harmonia, e no momento em que esta cessa, na fonte de qualquer energia organizada, as unidades dessa energia são arremessadas num estado caótico de desordem e o poder se torna neutro ou passivo.”

“Assim, não pode haver objetivo definitivo para aquele que não fizer da harmonia a pedra angular de sua fundação.”

E como essas reflexões podem ser úteis nesse momento que estamos vivendo?

Até o presente momento, as demonstrações – em sua esmagadora maioria de natureza pacífica – parecem harmonizar de alguma maneira as diferentes demandas por mudanças vindas de diferentes segmentos da população brasileira.

As redes sociais, ferramentas e instrumentos do mundo virtual extremamente úteis para os propósitos de reunião e discussão, não criam essas demandas e, isso sim, canalizam suas energias represadas em busca de expressão legítima no mundo real. Cabe a cada um de nós, cada cidadão, especialmente aqueles ocupando cargos de direção e liderança, escutar com empatia cada uma dessas reivindicações e, sem discriminação e em espírito de verdadeira harmonia, contribuir para a exploração de soluções alternativas por meio de perguntas poderosas que provoquem reflexão e buscar meios de atendê-las e conciliá-las.

Mesmo que, em um primeiro momento, os políticos em geral e os militantes de seus partidos não estejam sendo bem recebidos nessas manifestações populares, especialmente aqueles que, com seus velhos vícios, pretendem se beneficiar de alguma maneira com a situação caótica que eles mesmos ajudaram a criar, em algum momento eles terão que ser chamados a participar das soluções, sob pena de quebra dessa harmonia que estamos desejando preservar e, se possível, ampliar.

As Universidades, as Empresas, as instituições representativas dos diversos segmentos da sociedade, as Forças Armadas, os Órgão dos Poderes Executivo e Judiciário, cada um dentro de suas respectivas atribuições, deve ter sua parcela de participação em busca dessa harmonia.

As Polícias Civil e Militar, e os demais órgãos da área de Segurança Pública dos níveis federal, estadual e municipal, são algumas de nossas importantes instituições e tem um papel fundamental na garantia da lei e da ordem, a despeito de algum despreparo para enfrentar situações de conflito quando grupos radicais entram em ação. E, por isso mesmo, merecem contar com todo o apoio da nossa população para identificar e impedir a ação de participantes cuja única intenção é a quebra da harmonia por ocasião das manifestações de rua.

Durante as manifestações, minha sugestão é a de participação sim, de maneira pacífica mas, ao primeiro sinal de ação de grupos radicais, abrir espaço, deixando clara nossa intenção pacífica, chamar a polícia, documentar essas ações usando nossas câmeras e celulares e encaminhar esse material para os órgãos policiais para identificação dos responsáveis pelos atos de vandalismo. Eles – os radicais – atuam de maneira coordenada; o que exige reação também de maneira coordenada por parte da sociedade que busca a manutenção da harmonia.

Pausa para um breve haicai:

nossa energia
em perfeita harmonia
tempo de magia…

Eduardo Leal
Fotos de autores desconhecidos

Invasão do Itamarati

Flores para a polícia

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