Garrafa 289 – Fuga da dor   Leave a comment

Diversos “Exploradores de novas possibilidades de futuro” que é como gosto de chamar as pessoas com quem tenho a oportunidade de entrar em contato, no meu papel de Coach Centrado em Valores, têm me trazido uma questão recorrente. Trata-se de uma aparente preferência por reconhecer facilmente os problemas e saber o que evitar, porque vêem claramente aquilo que não querem, ao invés de se concentrar em seus objetivos e ir atrás daquilo que realmente querem. Isso normalmente pode trazer uma certa dificuldade para uma boa formulação de Metas e Objetivos, uma das atividades importantes de um processo de Coaching e de Gestão Pessoal, seja qual for a abordagem adotada.

Refletindo e pesquisando sobre esse tema, compartilho algumas idéias a respeito de “Metaprogramas” que são os filtros perceptivos que normalmente usamos para determinar que tipo de informação vai chegar até nós – o que atrai a nossa atenção. Os metaprogramas filtram as nossas experiências para nos ajudar a criar nosso próprio mapa de mundo.

Há muitos padrões que podem ser qualificados como metaprogramas e diferentes autores enfatizam determinados aspectos da questão. Nenhum deles é melhor ou mais correto por si só e tudo depende do contexto e do objetivo que se deseja atingir, já que alguns deles podem funcionar melhor para determinadas tarefas específicas.

Podemos citar alguns desses padrões tais como: Aproximação X Afastamento; Proativo X Reativo; Referência Interna X Referência Externa; Geral X Específico; Semelhança X Diferença, etc.

O padrão Aproximação X Afastamento é especialmente interessante uma vez que nos remete às idéias de Freud a respeito de motivação, quando colocou as coisas em termos de Busca do Prazer (Aproximação) X Fuga da dor (Afastamento). Em sua obra Projeto de uma Psicologia, afirma que “o sistema nervoso tem a mais decidida inclinação para a fuga da dor” e, posteriormente, em Formulações sobre os dois princípios, afirmou que “a atividade psíquica afasta-se de qualquer evento que possa despertar desprazer” de modo que, em princípio, não há nada de errado quando observamos nossos padrões de afastamento e fuga da dor. Estamos apenas utilizando o nosso hardware e software humanos, a cada momento temperados por nossas emoções e níveis de consciência.

O que penso ser importante e procuro provocar reflexão utilizando algumas “perguntas poderosas”, isso sim, é: Em que medida a preferência por esse padrão de fuga da dor, em um determinado contexto ou área da vida, tem me ajudado ou prejudicado? Em especial, no momento de estabelecimento de Objetivos e Metas, mesmo que o padrão de afastamento entre em cena em algum momento, penso que ele deva ser ressignificado utilizando algo como: O que eu quero de verdade, no lugar disso que claramente não quero?

Acreditando firmemente que não há maneiras saudáveis de fugir ou se esconder da própria vida, esses questionamentos podem nos levar a investigar em profundidade nosso Sistema de Valores (com suas Crenças associadas), que está intimamente relacionado ao nosso Nível de Desenvolvimento de Consciência (de acordo com o Modelo da Espiral Dinâmica, por exemplo), e ao estabelecimento de Objetivos e Metas congruentes e alinhados com nossos Valores Centrais e Critérios.

No momento em que damos as boas vindas a um novo ciclo, com a chegada do outono que, com a qualidade da sua luz, conduz à maturidade e ao contentamento, deixo que a inspiração proporcionada pela suave brisa noturna me diga:

da própria vida,
nunca há como fugir,
nem se esconder…

Eduardo Leal
Ilustração de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir gravação nostálgica de “Fuga numero 2” com Rita Lee e os Mutantes

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