Garrafa 272 – Na cozinha, como na vida   1 comment

Cena 1: Domingo chuvoso: Meu vizinho Bem-te-vi, silencioso… Dieta de notícias, no jornal que recebo na porta de casa pela manhã – só leio o que faz bem pra minha saúde mental. Vontade enorme de continuar vendo a programação esportiva que começou cedinho: GP de motociclismo, Globo Esporte com Meia Maratona do Rio… Depois pegar um bom livro e continuar sua leitura interrompida na noite de ontem, até a hora do almoço.

Após uma semana de intenso e prazeroso trabalho, acho que não seria pedir muito… Entretanto, é dia de folga da empregada e cozinheira; nenhuma animação para comer fora de casa; companheira resfriada e dengosa…

Cena 2: – Mozinho, to tão cansada e resfriada, me ajuda aqui com o almoço?

Em tempo: Minha especialidade na cozinha – água fervendo, olhando na receita…

Inércia! Sair da zona de conforto, argh! Impulso mental para o destempero: – Mozi, você sabe que eu não entendo nada disso! Tenho tanta coisa pra fazer!

MINHA LIÇÃO DE DOMINGO: SABER QUANDO PARAR – Nesse caso, de não fazer absolutamente nada! PRA NÃO DESTEMPERAR!

Ainda bem que não disse nada, ou melhor: – Tá bem Mozi, vamolá! Vamos ver o que acontece.

Cena 3: Ingredientes já cortadinhos, shimeji, shitake e cebola. Panela no fogo com manteiga sendo derretida. Adiciono a cebola cortada e mexo sem parar. Sensação interessante, por a mão na massa, território pouco explorado… Só me lembro de algo parecido em acampamento com amigos, onde um pacote de miojo e uma lata de salsichas faziam o maior sucesso. Ou quando morei na Alemanha em companhia de meu amigo Matsuda, grande cozinheiro, que sabiamente me mantinha a uma distância segura do fogão. Adiciono os cogumelos e continuo mexendo sem parar. Não precisa por água? Não Mozi, é assim mesmo! E AGORA, QUANDO PARAR de mexer? Qual o próximo passo? Quando a Chef faz um sinal, hora de adicionar creme de leite natural e continuar mexendo. Uma pitada de sal. Provinha de sabor – essa parte eu gostei! Não bota a colher de volta na panela! Lava primeiro! Argh! Enquanto isso, em outra panela, minha especialidade! Água fervendo! A seguir, colocar na água os “ninhos” de pasta, mexendo com um garfo com todo o cuidado, prá não embolar. E AGORA, QUANDO PARAR de mexer? Agora, prova de cozimento e consistência: Está “al dente”?…

Cena 4: Minha filha chega e não acredita no que vê. Espanto! Tempo de dilúvio se aproxima! Fotos! Meu pai na cozinha!

Cena 5: Comida na mesa, olhares de surpresa, degustação aprovada. Não foi tão difícil assim… Graças à Chef de cozinha, que sabia a hora certa de parar, seja lá o que for que estivesse acontecendo, ou deixando de acontecer, prá não destemperar…

Cena 6: Beijim, e pausa para um breve haicai…

quando cozinhar,
saber quando parar pra
não destemperar!

Eduardo Leal
Fotos de Fatima & Eduardo Leal

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