Garrafa 112 – Oração   1 comment

Quero tocar o poder da umidade que gera vida e reconhecer o aroma do mar acariciando a praia no cheiro do meu suor, no sal das minhas lágrimas, no líquido escorregadio que extravasa entre minhas coxas macias quando sou bem amada.
Quero me concentrar na ponta dos meus dedos, na forma e no peso da minha mão, no sangue, nos ossos e nos milhares de terminações nervosas quando levo uma maçã à boca, quero deixar a ponta da língua escorregar na firmeza redonda e suave da superfície fria e sentir o jorro do suco quando meus dentes furam a pele e penetram o interior da carne firme.
Quero saborear as semanas de chuva e sol, a maturação nas árvores, o trabalho daquele que semeia e do que colhe o fruto, a jornada dos homens e mulheres que trazem a maçã do pomar à mesa.
Quero acolher a beleza que me faça lembrar que não há separação – que cada ação minha, plenamente consciente, não pode deixar de ser ao mesmo tempo oração e ato de amor.
Oriah Mountain Dreamer
em O Convite
Foto de autor desconhecido
 
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Publicado 22/11/2007 por Eduardo Leal em Poesia

Uma resposta para “Garrafa 112 – Oração

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  1. cada vez mais o poema fala e nos lê.
     
    abraços.

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