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Garrafa 106 – Antes o Voo da Ave   Leave a comment

Antes o voo da ave, que passa e não deixa rastro, 
que a passagem do animal, que fica lembrada no chão. 
A ave passa e esquece, e assim deve ser. 
O animal, onde já não está e por isso de nada serve, 
mostra que já esteve, o que não serve para nada. 
A recordação é uma traição à Natureza, 
porque a Natureza de ontem não é Natureza. 
O que foi não é nada, e lembrar é não ver.
 
Passa, ave, passa, e ensina-me a passar!
 
Alberto Caeiro/Fernando Pessoa
em O Guardador de Rebanhos
 

Publicado 11/11/2007 por Eduardo Leal em Crenças, Fotografias, Poesia

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